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"LAVRAS DE REFLEXõES"

A febre de doenças conjunturais


Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018
Por: Mucuta Mukhuta



O diagnóstico de qualquer doença começa com o processo de triagem. O médico, antes de conversar com o paciente, requisita aos enfermeiros avaliação da mucosas da boca, cor dos olhos, batimentos cardíacos, a temperatura do corpo...

A subida da temperatura humana é alerta para o médico prestar cuidados redobrados ao paciente. A subida descontrolada da temperatura obriga a tomada de medidas emergenciais para atenuar e controlar este indicador nos níveis aceitáveis.

Quando a temperatura do corpo humano passa dos aceitáveis 37,2oC, os técnicos de saúde consideram o estado do organismo como febril. As febres, normalmente, são sintomas de doenças ou alguma anomalia no corpo.

A febre saltou nos últimos tempos do campo da medicina para invadir as redes sociais. Na rede criada pelo programador norte-americano, Mark Zuckerberg, há febre de todo tipo. Dependendo do ponto de vista e de quem a sofre, há febres divertidas, inusitadas, ridículas, tendenciosas, satíricas e com outros adjectivos.

Várias febres chamam atenção aos “habitantes” da rede social facebook. As febre de testar “como seria de fosse do gênero oposto”, “depois da velhice”, “de casamento”, de aparências do possíveis filhos”, “da localização parceiro amoroso”, etc, iniciativa de programadores associados a plataforma digital, se são populares no facebook.

Mas, a febre que mais preocupa é a nacional. É “a febre da fotografia do bloco”, em que muitos angolanos aparecem de corpos caídos, na obra, no lixo, no charco ou na rua alagada, etc. Há quem já foi mais longe, ao publicar uma foto atropelado e a roda de uma viatura sobre o pescoço.

Enfim, cada caso é um caso. Cada organismo é diferente. Esta febre surgiu num ápice que os analistas do espaço virtual desconheçam a origem da “moda”. No meio de tantas dúvidas, uma pergunta coroe a minha cabeça: estará o país doente? De doença?

Como eu, muitos renomados analistas da rede social facebook, têm as mesmas dúvidas. Aparentemente, ninguém sabe ao certo o que está na base desta febre. Cada um encontra uma razão para justificar os sintomas. Há quem diga que é protesto contra as políticas sociais, monetárias e cambiais. Outros justificam a febre com as políticas orçamentais pela novo governo.

Alguns apelidam-na de “acaba de me matar”, com bloco de 12, de 15, com água do charco, com o lixo ou com a roda da viatura “lexuosa” que desfila pelos nossos “tapetes asfálticos”. Para muitos, a febre “é sinal de protesto ao cenário de escassez generalizada de quase tudo”.

Obviamente desde divisas no mercado, salas de aulas, medicamentos nos hospitais, salários na hora e dignos, poder de compra dos ordenados, etc., as decisões governamentais são também suscetíveis de questionamento nas redes sociais quanto ao seu impacto para “melhorar o bem-estar do povo”.

Os jovens, impulsionado pela moralização sociedade e pela conquista recente da abertura democrática, são os que mais manifestam os sintomas de doenças febris, provocadas pelas decisões de camponeses de lavras de épocas anteriores.

Independentemente das razões na base desta febre, a situação é mais profunda do que parece, pois merece uma reflexão séria de governantes, psicólogos, sociólogos, politólogos, economistas e outros especialistas em questões políticas, sociais e económicas.

O diagnóstico das razões da doença febricitante deixou de ser somente da responsabilidade dos especialistas em saúde. Aliás, a febre nacional do bloco apanhou de surpresa os enfermeiros e os médicos angolanos. Os termómetros são poucos e se mostram incapazes e arcaicos para medir o nível da febre de doenças sociais, cujos vírus podem sair das redes sociais para o mundo real, afectar a todos e provocar convulsões sem precedentes.


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Edson Kassanga

Amante de literatura. Tem como hobby a escrita de poesia e contos. Estudante frequenta o curso de Relações Internacionais no Instituto Superior de Relações Internacionais Ministro Venâncio de Moura/MIREX-Luanda.

Mucuta Mukhuta

Técnico de comunicação. Gosta de escrever reportagens, crónicas, poesias. Filmmaker e Fotógrafo de eventos sociais. Empreendedor e Estudante de economia (Marketing).

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