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QUEM FOI DACK-DOY?


Quinta-feira, 27 de Julho de 2017
Por: Edson Kassanga



O gosto por leitura em muitos casos desenvolve o gosto pela escrita. É assim que utimantente tomei a decisão de escrever o que der, no mínimo um texto por semana, com objetivo, de solidificar; alterar; incrementar os meus conceitos, entre outros, já que tenho o privilégio de ver alguns publicados em pouquíssimos blogues da banda.

Uma vez que, o conhecimento não é absoluto e muito menos imutável. Mas nem sempre o que se programa à escrita flui feito o planejado, por vezes essa prazenteira necessidade em se expressar surge inesperadamente, existem vezes até inoportunamente.

Ora é isso que me está acontecendo agora. Estou a ler ' As Armas Já Cumpriram A Sua Missão- Subsídio Para A História Militar Angolana' de autoria de Mufinwa e eu previa escrever sobre o livro quando terminasse de o ler, tal como tem acontecido habitualmente. Mas li uma parte que não quer ficar de parte, ou seja, a ideia de continuar a ler o livro sem redigir algo sobre essas linhas arrebatadoras me incomoda. Elas suscitam em mim um sentimento docemente tão profundo, com pitadas de seriedade, graça e vergonha que urge a necessidade de aproveita-lo enquanto está fundo. Ademais, a expressão do que se sente é diferente da do que se sentiu ou melhor, há diferença em explicitar o que se sente no presente, do que exprimir no presente algo que ocorreu no passado. Por conseguinte, encostei o livro de lado e deixei-me envolver pelas deliciosas memórias da minha infância velha.

Efectivamente as portas da puberdade (1999), ingressei na Escola de Base do III Nível, 27 de Março, era o meu primeiro ano e o princípio das aulas. E como é da praxe as mesmas são essencialmente de apresentações, quer dos professores como dos alunos em que o nome e morada são sempre requeridas e referidas. Assim, nessas aulas quando chegada a minha vez eu dizia, além outras frases, que vivo no bairro Comandante Dack-Doy e os meus colegas reagiam olhando pra mim como se tivessem ouvido língua de outro mundo. O nome era lhes era tão esquisito que passaram a chamar-me pelo mesmo (Dack-Doy). Mas o quê que o livro tem haver com a bairro e que relação tem este com o nome?

Bem, pelo livro em leitura fiquei a saber quem foi esse meu chará e por que motivo atribuíram o nome dele ao meu bairro, assim como em tantos outros locais e até instituições.

Em Agosto de 1975 as SADF (Forças de Defesa Sul Africanas) depois de ocupar a província do Cunene, estavam as portas da cidade do Lubango ( a cerca de 17 km desta) quando tudo indicava o mesmo destino daquela província (Cunene), Dack-Doy, Comandante da Frente Sul na altura ' deixou o posto base na cidade e no seu Land-Rover foi pra Boa Viagem levando um canhão de B-10 (...), tentou travar o invasor e tombou deixando mulher e filhos, portando-se como um verdadeiro herói' conforme o livro e autor acima referidos precisamente na pág 54. Assim, julgo ser por este acto de façanha digno de ser eternizado que o seu nome, tal como de tantos outros filhos de Angola, foi atribuído depois da independência ao bairro onde nasci e vivi a melhor fase da minha vida: meninice.

Portanto a reação dos meus colegas foi devido a falta de informação, pois não sabiam que o nome Comandante Dack-Doy foi dado ao bairro, até hoje por muitos conhecido como, Santo António ( designação na era colonial) que deixou ser dando lugar aquele, depois da dipanda.

Decerto que este é apenas um de muitos casos, até certo modo vergonhosos, em que recomenda-se maior divulgação dos heróis nacionais, mais estudos sobre os mesmos, mas acima de tudo, maior interesse das novas gerações em saber sobre a história de Angola, pois, é por ela que se estuda o passado de forma a tirar lições do mesmo e evitar a repetição de erros.


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COLUNISTAS

Edson Kassanga

Amante de literatura. Tem como hobby a escrita de poesia e contos. Estudante frequenta o curso de Relações Internacionais no Instituto Superior de Relações Internacionais Ministro Venâncio de Moura/MIREX-Luanda.

Mucuta Mukhuta

Técnico de comunicação. Gosta de escrever reportagens, crónicas, poesias. Filmmaker e Fotógrafo de eventos sociais. Empreendedor e Estudante de economia (Marketing).

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