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Cidadania


Literatura sobre a guerra em Angola

As memórias da história militar
expostas no livro de 'Mufingwa'


25 de Julho de 2017



Diz-se que 'a guerra é a continuação da política por outros meios' mas em muitos casos somente os resultados daquela impulsiona o retorno dos políticos para mesa de negociações. Este é um facto evidente na História Militar de vários países dos quais Angola não se diferencia.


O livro de Francisco Coelho Matroquela 'Mufingwa' no intitulado 'As Armas já cumpriram a sua missão - Subsídio para a história militar angolana ', editado em 2006, cujo foco principal são os factos de relevância militar decorridos em solo angolano entre 1975 à 2002, relata isso mesmo.


Os acontecimentos ocorridos durante este período estão directamente ligados a designada Guerra Fria, caracterizada pela disputa entre dois blocos rivais, sendo um liderado pelos EUA e outro pela Ex URSS, em que cada um, dentre outras práticas, procurava expandir a sua área de influência recorrendo a todos meios de que dispunham.


Ela teve o seu final oficial em 1989 com a queda do Muro de Berlim mas, para muitas paragens do mundo, quer durante como a posterior a ela, não foi efectivamente uma 'Guerra Fria'. Muito pelo contrário.


Assim, foi com o objectivo de expansão que potências já referidas instigaram e apoiaram os beligerantes angolanos em conflito, cujo resultado foi uma guerra, tão longa quanto profundamente devastadora relatada em 'As Armas Já Cumpriram A Sua Missão'.


Nesta obras o autor relata eventos relacionados aos Acordos, Operações e os combates sobretudo entre as FMU/FALA (Forças Militares da UNITA ou Forças Armadas de Libertação de Angola, respetivamente) coligadas com a SADAF (Forças de Defesa Sul Africanas) contra as FAPLA/FAA (Forças Armadas Populares de Libertação de Angola ou Forças Armadas Angolanas, respectivamente) aliadas as FAR (Forças Armadas Revolucionárias) de Cuba) num período que vai desde a Batalha de Kifangondo iniciada a 23 de Outubro de 1975 ao Memorando de Entendimento do Luena assinado a 04 de Abril de 2002.


A maior parte dos episódios violentos espelhados no livro foram vivenciadas pelo seu autor enquanto combatente de um dos lados em conflito e ciente do pressuposto de que geralmente numa guerra cada lado procura enaltecer as suas proezas em detrimento do adversário. Ele inclui também opiniões destes, além das dos aliados externos de ambos os lados.


Apesar do cenário dantesco que se espera e se gera nas guerras, têm ocorridos episódios surpreendentemente extraordinários que demonstram a tradicional essência humana independentemente das circunstâncias, principalmente numa guerra fratricida.


Os exemplos para provar tal facto são apresentados no livro em análise e é oportuno realçar os seguintes: -No dia 10/02/1990 foi capturado 'um soldado das FALA com graves ferimentos na coxa, que perante aquela situação o médico, Dr. Gaspar, solicitou a autorização ao comandante do agrupamento para o uso do sangue que tinha na reserva para a transfusão, tendo este autorizado...' (citações de acordo a pág 140). -No dia 19/02/1990 'um foguete... das FALA acertou em cheio em sobre 'uma viatura de transporte de munição de artilharia e as chamas atingiram também o veículo mais próximo onde se encontrava algemado um prisioneiro das FALA que vendo o enorme perigo, sem saber como livrou-se das algemas. Logo de seguida pegou numa pa e começou a extinguir o incêndio ao mesmo tempo gritava chamando pelos membros da tribulação do camião'( citações de acordo a pág 147).


Francisco Coelho Matroquela ' Mufingwa ' nasceu a 02 de Abril de 1959 no município da Matala, província da Huila. Incorporou-se nas FAPLA em 1976, iniciando um processo de muita formação, exercício de vários cargos em distintos escalões e regiões e até a data da edição do livro era Chefe de Repartição de Tropas Terrestres do Departamento de Planeamento e Sistema de Forças da Direcção Nacional de Política de Defesa do Ministério da Defesa Nacional.


Logo, é uma fonte credível sobre os assuntos que aborda e constitui um subsídio capital para a História Militar de Angola, uma vez que a maior parte da bibliografia existente são de autores estrangeiros, além de que, serve de estímulo pra outras pessoas, tal como autor, que muito têm a dizer, sobretudo aqueles que vêem o assunto numa perspetiva diferente da presente.


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