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Cidadania


O sabor da razão de Heitor e os espelhos partidos


Sábado, 11 de Março de 2017

Por Mucuta Mukhuta


A razão é o que há de mais elevado na consciência humana. O uso da razão distingue o homem de outros animais, porque, por meio dela, o ser pensante destrinça o bem e o mal, assume a autoridade para seguir o rumo desejado, escolhendo o caminho benéfico e desviando-se do maléfico.

A posição de "ficar fora da lista de deputados" e de "ser apartidário", assumida pelo economista Fernando Heitor, mais do que ser vista na dimensão político-partidária, deve ser encarada como uma lição de moral, dada pelo docente a luz do dia para não deixar nenhuma margem de dúvidas no caudal do rio permanente da especulação.


A decisão do Fernando Heitor em deixar o cargo de deputado para dar oportunidade ao "sangue novo" que, em estado efervescente encontra algumas veias obstruídas no país, é daquelas aulas que poucas universidades da vida dão, sobretudo nesta sociedade carente de referências positivas para os mais jovens.

O economista usou da razão para aplicar o princípio de trade-off ou Custo de Oportunidade, pois pode ser útil ao país noutros sectores da vida, deixando a Assembleia Nacional onde está ainda "subaproveitado" para dedicar-se a outras tarefas que correspondem as valências técnicas e profissionais que a sua massa cinzenta ainda o permite carburar.


Sobre a vertente político-partidária, Fernando Heitor emitiu o seu pensamento, dando notas vermelhas aos que defendem a estreita teoria da partidarização como a única auto-estrada para os quadros nacionais conduzirem Angola até a meta do progresso. De facto, o país não se faz somente com técnicos das fileiras de partido W ou X. Mais do que "militantes o país precisa de todos quadros patriotas".


Fez questão de argumentar que tomou a decisão certa e fê-lo de consciência limpa, dentro das balizas do seu direito inalienável de não se "cristalizar" no cargo de deputado. Aliás, como o próprio disse, já deu tudo durante os 20 anos como deputado a Assembleia Nacional. Fernando Heitor está no direito de levantar os ombros e desfilar vaidoso na passarela de modelos de que a sociedade precisa.


O economista e deputado parece um discípulo da doutrina de Sócrates conhecida por Intelectualismo Moral, segundo a qual "basta saber o que é bem para o praticar e basta saber o que é mal para não o fazer". Esta teoria grátis do filósofo grego acrescenta que "se os homens fazem o mal é por ignorância, porque no fundo não sabem o que fazem". Para praticantes do mal, até Jesus Cristo rogou por eles ao Pai: "Perdoa-lhes pois não sabem o que fazem", Lucas 23:34 .


Portanto, a decisão de Fernando Heitor, se partir longe de um "cheque branco", é um grande exercício de cidadania e patriotismo e deve ter o sabor da razão para ele, pela idade e pelo tempo de serviço como deputado, e pode estimular outros kotas a tomarem coragem para deixar o orgulho de lado, dando exemplo numa sociedade em que é cada vez mais difícil juntar os pedaços de espelhos partidos.


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