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Distribuição de riqueza


Poder sagrado do salário
na cadeia de rendimentos


Terça-feira, 23 de Maio de 2017

Por Mucuta Mukhuta


O salário é, em resumo, uma contrapartida pelo serviço prestado a título permanente ou temporário. A garantia do trabalho remunerado é sonho de muitos, dever e preocupação dos Estados e um direito de qualquer cidadão em idade activa. Exercer um trabalho remunerado por conta de outrem ou por conta própria tem sempre benefícios na vida de quem o faz.


Esta é, á partida, a visão restrita que se tem, porque com o salário é possível comprar bens e serviços para a satisfação das necessidades pessoais ou familiares. Mas, é preciso parar e "respirar fundo" para perceber que o salário têm impacto mensurável na distribuição de riqueza nacional e no combate à pobreza. Basta observar como o dinheiro que ganhamos, por mínimo que seja, circula de pessoa em pessoa.


Por isso, na minha visão mais profunda e periférica, o trabalho bem remunerado tem peso na vida da sociedade e da economia. Ao comprar qualquer bem o trabalhador que dispõe do salário põe o dinheiro a circular de mãos em mãos, criando um ciclo positivo a que posso chamar de "cadeia de rendimentos".


Este processo de realização de despesas para a satisfação das necessidades pessoais ou familiares é bivalente. Talvez os contabilistas percebam melhor o sentido desta abordagem se, por analogia a teoria de Luca Pacioli, considerarem o método das partidas dobradas, resumido na ideia de que um crédito corresponde sempre a um débito e vice-versa.


Para ser mais preciso, basta perceber que o mesmo valor é pagamento para o empregador e um recebimento para o empregado. Para ser mais eléstico no campo das transacções de bens e serviços (para a satisfação daquelas necessidades do trabalhador) o valor implicado é despesa para o comprador e receita para o vendedor. Estes dois casos são referências claras para entender como a circulação e utilização do mesmo dinheiro cria um cordão cíclico de benefícios.


Pelo exposto acima, é possível afirmar sem receios de errar que o salário é a principal forma, senão mesmo a melhor, que o Estado tem para distribuir a riqueza nacional aos seus cidadãos. Dai que não se pode pensar duas vezes quando o assunto é criar empregos e remunerar bem os funcionários, sobretudo do sector público, embora esta medida exija o aumento da produtividade e da produção interna, no sentido de garantir o poder de compra dos salários auferidos.


O Estado pode por meio do sal´rio distribuir a riqueza aos seus cidadãos sem necessidade de empregar todos ao mesmo tempo, mas pagando melhor os empregados, porque os funcionários bem remunerados são os principais compradores de bens e serviços, donos de poupanças e potenciais criadores de empregos quer domésticos quer os resultantes de investimentos na criação de empresas. Lembra-se que o remanescente dos salários é poupança, utilizada, em muitos casos, pelos bancos como empréstimos aos investidores que por sua vez criam mais empregos na economia.


Vamos a um exemplo concreto. Suponhamos um funcionário público que aufere o salário líquido mensal de 500.000,00 (Quinhentos mil Kwanzas). Admitamos que todos os factores motivacionais estejam salvaguardados para o mesmo se dedicar de corpo e alma, aplicando toda a sua capacidade no aumento da produtividade. Ele, pois, precisa de contratar serviços gerais de uma empregada doméstica, a quem pague por exemplo 60.000,00 (Sessenta mil Kwanzas) por mês. E a empregada por sua vez contrata serviços de uma outra senhora para cuidar da sua casa e dos seus filhos em troca de 19.000,00 ( Dezanove mil) Kwanzas mensais. E assim por diante.


Ora, estamos aqui perante um cordão positivo do salário com impacto na vida de várias pessoas ou famílias a partir de uma remuneração de referçncia. Por isso, é necess´rio estimular a política de melhores salários no funcionalismo público e empresas públicas. Aliás, como vimos, sem admitirmos a contratação de outros profissionais, a compra de bens e serviços algures por todos funcionários, o montante das suas poupanças e a realização de investimentos, o exemplo é suficientemente sintético e elucidativo para reconhecer o poder sagrado do salário na "cadeia de rendimentos".


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